domingo, 12 de outubro de 2014

INSSaNewsTV EXCLUSIVO - A INFÂNCIA DE DONA CONCEIÇÃO


        O jornalismo investigativo do INSSaNewsTV descobriu um vídeo de Dona Conceição que revela que ela, ainda em tenra idade, já possuía certas características comportamentais que a acompanham até hoje, tais como um certo desequilíbrio emocional e uma hiperatividade agressiva. É um elucidativo registro familiar que agora vocês irão assistir.

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quinta-feira, 9 de outubro de 2014


INSSaNewsTV ESPECIAL - O SURTO DE DONA CONCEIÇÃO


Certo dia, ao ir para o trabalho. Dona Conceição se deparou com a curiosa, embora nem tão inesperada cena:



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Dona Conceição estava, naquele dia, com o Rivotril atrasado e a simples visão de um segurado em pleno e descuidado exercício de falta-de-vergonha-na-cara  levou-a a um nível de irritação e descontrole nunca antes vivenciado por nossa tranquila servidora. Ela, então, sequer entrou em sua APS e, ali mesmo na rua, se pôs a agredir todos os segurados que encontrou pela frente, fossem eles inocentes ou não. São cenas fortes as que verão a seguir. 


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Felizmente, depois de algumas horas de incontrolável violência, Dona Conceição recebeu um dardo com tranquilizante em pleno lombo e, reagindo da forma esperada, caiu dura e apaziguada na calçada. Levada  para uma casa de repouso onde passou os últimos quinze meses em revigorante reconstituição do equilíbrio mental e prestes a ter alta médica e retornar ao trabalho, concedeu esta gentil entrevista a nosso repórter.



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quinta-feira, 18 de setembro de 2014

TÉCNICAS DE SOBREVIVÊNCIA EM APS – ENCONTRANDO SOLUÇÕES


A ASSEDE (Associação dos Servidores Desesperados), após muito deliberar, concluiu que, devido à endêmica falta de servidores, a única forma de cumprir as metas e realizar um bom trabalho seria investir em peso em ficção científica de ponta. Dois programas foram especialmente desenvolvidos para melhorar a qualidade do atendimento e ao mesmo tempo  liberar o servidor para o serviço de retaguarda.
Um desses excelentes experimentos é o Projeto Avatar em que o servidor real permanece na retaguarda analisando processos enquanto uma encarnação sua atende a população com uma tranquilidade padrão rivotril de qualidade. É um sistema de duplicidade, sem custo extra  para a União e que dá um merecido descanso ao servidor em faixa crítica que, com sorte, poderá até abandonar seus remedinhos controlados.
Outro programa muito interessante também é o Clone Confusion. É um grande sucesso na padronização do atendimento uma vez que todos os atendentes possuem exatamente a mesma aparência, oriunda de uma matriz comum. É igualmente divertido, pois deixa os cidadãos um tanto confusos e também um tanto inibidos no que tange a reclamar do atendimento do servidor de outra mesa já que ele é igualzinho ao que o está atendendo no momento, bem como aos demais que o ladeiam.
Evidentemente até mesmo clones e avatares necessitam de uma certa paz para exercer suas funções previdenciárias e para distrair as criancinhas pequenas e as não tão pequenas que ficam correndo e gritando pelo salão foram criados emanações ectoplásmicas cibernéticas, disponíveis em três modelos: Chucky, Jason e Freddy Krueger.
Também para manter o ambiente livre de outras modalidades de inconveniências tais como as causadas pelo celular, como conversas em voz alta e joguinhos irritantemente sonoros, bem como por aqueles segurados criadores de caso, foi projetada a máquina de teletransporte representada por um tubo virtual que envolve o cidadão incomodante e, de acordo com o grau de chatice, o envia a lugares de variada distância, a saber, esquina mais próxima, casa do cliente e deserto de Gobi.

Infelizmente todas essas fabulosas invenções ainda se encontram em fase experimental, o que acarreta alguns inconvenientes e, no que concerne à nossa exemplar servidora, Dona Conceição, que serviu de cobaia a tais experimentos, temos duas notícias a dar - uma boa e outra ruim. A boa é que já se encontra à disposição para venda os clones de nossa nobre colega. A ruim é que, após ser submetida a um teste na máquina de teletransporte, por algum erro de programação, ela não foi ela encontrada em nenhuma esquina próxima tampouco em sua casa...

domingo, 6 de julho de 2014

APS X DATAPREV - A DECISÃO

O ATAQUE  DA APS

      - Bem, amigos, chegamos ao momento decisivo da disputa pelo turno estendido. As arquibancadas da Arena Previdência estão todas coloridas com o azul e branco da APS, parece até a torcida da Argentina, mas os torcedores da DATAPREV, embora em menor número, estão bastante animados. A diferença numérica é um fator de vantagem para a APS, Casagrande?

   A DEFESA DA DATAPREV
- Certamente que sim, Galvão. Mas não devemos menosprezar o valor do grupo de torcedores do DATAPREV, todos os três são cartolas de renome.
- Você saberia explicar por que são tão poucos os torcedores da DATAPREV numa partida tão importante, Casagrande?
- O agendamento de ingressos foi feito exclusivamente na APS, portanto se nota uma ligeira preferência de marcação para os torcedores da agremiação.
- O SIBE, que chegou como promessa para esta copa, continua no banco de reservas sem ter conseguido se firmar no lugar do PRISMA nem do SABI. Isso facilita ou dificulta a tarefa do adversário?
- Em se tratando do PRISMA, isso facilita muito a tarefa. Já em relação ao SABI, seria preferível para a APS que o SIBE estivesse em campo.
- O SABI é mesmo tinhoso, mas Dona Conceição se diz preparada para o confronto. E já tem bola rolando... O Auxílio Reclusão Sem Declaração de Cárcere tenta tomar a bola do TMA, que conclui que o instituidor não tem qualidade de segurado e não quer dar entrada no benefício. O Auxílio Reclusão insiste, o TMA resiste e o juiz dá bola presa e manda decidir com a bola ao alto. Isto está na regra, Arnaldo?
- O juiz 135 está completamente equivocado, está agindo como se estivesse apitando uma partida de basquete.
- Dona Conceição recebe um Acerto de Atividade, passa o TMA que percorre todas as etapas do processo, devolve para Dona Conceição que analisa, marca para deferimento, chuta para homologar e o Portal CNIS cai no momento exato, impedindo a conclusão da jogada. E, agora, Dona Conceição chega por trás, dá um chute nas costas do Portal CNIS, tira-lhe a bola e a atira para a rede. O juiz 135 se aproxima do jogador derrubado, parece que a coisa foi séria, hein, Casagrande?
- O CNIS está fazendo cera para ganhar tempo já que o empate é favorável à DATAPREV.
- O juiz contou até dez, o CNIS não se levantou e ele então validou o gol da APS. Arnaldo, explica pra gente o procedimento do juiz.
- Mais uma vez o juiz 135 parece estar misturando as informações esportivas e agiu como se estivesse mediando uma luta de boxe. E é incrível também que Garibaldo e Lindolfi, os dois bandeirinhas, não fazem nada para melhorar a performance da arbitragem.
- Não dá mais para o Portal CNIS que vai saindo do campo de maca. O técnico Assumpção manda o CADPF para o aquecimento. E aí, Casagrande, o que você acha dessa troca de goleiros?
- Vai facilitar muito a vida da APS porque ele tem dificuldade com as bolas altas, colaborando para  encerramento de atividade
- Lá vai o SISAGE dificultando a marcação do TMEA, impedindo o avanço do Agendamento da Aposentadoria. Novamente vem Dona Conceição, perigosamente por trás, e outra vez dá um pontapé nas costas do adversário. O SISAGE fica caído no chão, se contorcendo de dor. A bola quica, Dona Conceição ajeita a pelota com a mão e enfia no gol. O CADPF nem percebeu a bola entrar. O juiz 135 valida o gol enquanto o SISAGE é carregado para fora do campo, de maca. Vai ser substituído pela Agenda SAE. Gol de mão pode, Arnaldo?
- No handebol, pode, Galvão. O juiz 135, pelo visto, conhece a regra de muitos jogos, menos aquele que está apitando.
- E, agora, o juiz consulta o SISREF e encerra a partida intempestivamente. E isso, agora, Arnaldo, como você explica?
- Ele deve ter um bom banco de horas, Galvão.
- O importante é que, com essa vitória, a APS conquistou, em definitivo, o turno estendido, não é Casagrande?
- Podemos dizer que sim, pelo menos até o final do ciclo, se as regras não mudarem no meio do caminho.
- E fiquem agora com mais um capítulo da novela Vale a Pena Chutar de Novo. E até o nosso próximo encontro.



quarta-feira, 25 de junho de 2014

APS X DATAPREV


- Mais um grande jogo pelas eliminatórias do turno estendido. A APS já chega com uma desvantagem na agenda de 42 dias, comprometendo o IMAGDASS, o que vai pressionar muito a zaga, principalmente o goleiro TMEA. O que é que você acha, Casagrande?
- Com uma defesa fraca, a APS tem que contar muito com o ataque, principalmente com o camisa 10, IRES, para ver se o time consegue passar para a próxima fase. Já a DATAPREV vem com o grupo afinado, com o CNIS contundido, o SABI com seu comportamento errático e o goleiro HIPNET prometendo barrar qualquer ataque que conseguir passar pelo zagueiro CNISVR. O jogo vai ser duro, Galvão.
- Tem bola rolando... Aproxima-se a aposentadoria da mesa de Dona Conceição e passa para ela onze carteiras profissionais. Isso pode, Arnaldo, não é muita carteira, não?
- A regra é clara: o segurado deve apresentar quantas carteiras profissionais ele tiver.
- Dona Conceição tenta driblar o CNIS mas ele resiste com quinze vínculos extemporâneos. Retomada a pelota, Dona Conceição, passa pelo CNISVR, chuta para o gol, mas o goleiro HIPNET cai, fora do ar, no momento decisivo. E agora vem um LOAS, sem requerimento nem formulário de grupo familiar preenchidos. Dona Conceição está fazendo cera para ver se o SIBE cai antes de gerar o número do benefício e, com isso, forçar um novo agendamento. O juiz deu jogo perigoso! Pode isso, Arnaldo?
- É, Galvão, parece que o juiz entendeu que Dona Conceição quer provocar um novo agendamento sem garantir a DER do segurado.
- E o que você acha, Casagrande?
- Dona Conceição está preocupada com o TMA, marcado sob pressão o tempo todo, o que pesa nos indicadores. Já que ela não deve perder tempo esperando que se preencha os formulários, deveria abrir exigência.
- Eh, fora do lance, o CNIS caiu! Terá sido o vento, Casagrande?
- Pode ser. O CNIS sofre com todo o tipo de variação atmosférica. Cai com o vento, a chuva ou o tempo bom.
- É agora, é agora! Dona Conceição mata no peito um salário maternidade redondinho, contribuinte individual, certidão de nascimento, cadastro completo, não precisa mudar nem a DER. Tá amadurecendo o gol da APS. Agora vai. Ah! O PRISMA não se comunica com o CNIS que permanece caído em campo. Casagrande, o que tanto o CNIS faz que fica mais tempo no chão do que de pé?
- O CNIS é o elemento estratégico para ligar a defesa ao ataque e impedir a movimentação do IRES e IMAGDASS.
- Tô sentindo cheiro de gol. Dona Conceição conseguiu fazer com que o PRISMA reconhecesse os recolhimentos da segurada. Imprimindo resumo, formatando e é GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL da APS! Golaço, aço, aço de Dona Conceição. E o CNIS parte pra cima de Dona Conceição e dá-lhe uma mordida no ombro. O juiz mostra o cartão vermelho para o agressor. O CNIS está expulso, vai pro chuveiro mais cedo. Era caso para expulsão, Arnaldo?
- O juiz agiu corretamente. O CNIS, pela sua conduta em campo, já deveria ter sido expulso muito mais cedo. Só serve para atrapalhar o jogo.
- Dona Conceição recebe uma procuração. De SABI. Para renovar. Tenta renovar, o SABI informa que o benefício não se encontra na base. Entra no controle e faz um povoamento. O benefício retorna como cessado. Dona Conceição corta para a esquerda, corta para a direita até que, felizmente, o juiz apita o final da partida. Casagrande, suas considerações finais.
- Uma magra mais expressiva vitória da APS, tendo em vista as pressões sofridas por uma bem articulada DATAPREV. Com o placar de 1 a 0 nos indicadores, a APS garante mais seis meses de turno estendido.
- E fiquem agora com mais um capítulo inédito de Vale a pena ver de novo, com a novela “Eu já vi este jogo”.


sexta-feira, 23 de maio de 2014

GUIA PRÁTICO DE CONDUTA EM APS

             

Para você que faz parte daquele reduzido grupo de segurados relaxados, que não se prendem a horários, são materialmente tão desprendidos a ponto de não se importar com próprios  documentos ou têm um senso moral bastante elástico, produzimos este pequeno teste preparatório para enfrentar as dificuldades promovidas pelos cruéis servidores do INSS.

1-     Quando o servidor pergunta por que você chegou cinco horas atrasado para o seu agendamento, você responde:
a.     (  ) O pneu do ônibus furou.
b.    (  ) Ué, pensei que estava chegando adiantado.
c.     (  ) Eu já estou aqui há oito horas, só não sabia que tinha que pegar senha.
d.     (  ) Eu não gosto dessa coisa de ter que acordar cedo.

2-   Ao ser indagado sobre por onde andam as páginas de identificação de sua carteira profissional, a sua resposta é:
a.     (  ) O cachorro comeu.
b.    (  ) Ué, não estão aí, não?
c.     (  ) Meu filho rasgou, mas o resto tá tudinho aí.
d.     (  ) Sou desmazelado e não cuido de meus pertences.

3-   Em relação à solicitação dos carnês e CICI do NIT em faixa   crítica , assinale a melhor resposta:
a.     (  ) A enchente carregou.
b.    (  ) Perdi tudo na mudança.
c.     (  ) Carnê? O que que é isso?
d.     (  ) Sou desmazelado e não cuido dos meus pertences.

4-   Quando o servidor menciona aquela sua aposentadoria cessada por fraude após 10 anos de plena atividade, você argumenta:
a.     (  ) Pois é, fiquei sabendo disso outro dia. Como tem gente safada neste mundo!
b.    ( )  Deve ter sido aquele cara que pediu todos os meus documentos, não sei pra quê. Eu nunca recebi nada. Como tem gente safada neste mundo!
c.     ( ) Clonaram todos os meus documentos, fizeram essa aposentadoria aí e ainda depositaram os vencimentos na minha conta! Como tem gente safada neste mundo!
d.     (   ) Isso aí que você está me contando é novidade para mim e eu quero saber quem foi o meliante que falsificou a minha assinatura.  Como tem  gente safada neste mundo!

5-    Quando o servidor descobre, pesquisando os dados cadastrais do  cônjuge que abandonou o lar há 35 anos e do qual você afirma desconhecer o paradeiro,  que ele mora, coincidentemente no mesmo endereço que você, você responde:
a.     (  ) Como é que pode uma coisa dessas, hein?
b.    (  ) Que velho mais sem-vergonha, dando o meu endereço como se fosse o seu!
c.     (  ) É porque o carteiro não vai até onde ele mora e então eu emprestei o meu endereço para ele receber a correspondência.
d.     (  ) Eu sabia que isso não ia dar certo...


Gabarito comentado:
1-     Letra A, porque levanta possibilidade de se estar falando a verdade, embora a letra D seja talvez a mais condizente com a realidade, seu nível elevado de franqueza não inspira muita simpatia pelo seu caso. Observe-se que alguma resposta semelhante como ‘o pneu do trem furou’ compromete totalmente a sua história.
2-    Letra C. É possível facilmente comprovar a veracidade das palavras do cidadão analisando o que resta da carteira profissional. A letra D resume bastante claramente todos os fatos anteriores.
3-   Letra A que,  pelo seu forte apelo emocional, elimina o desleixo sugerido  pelas letras B e D e a total alienação representada pela letra C.
4-   Todas as respostas podem ser consideradas corretas, principalmente considerando-se a frase final, comum a todas elas.
5-    Letra D porque não adianta nem espernear porque o seu benefício vai pro saco.








                  




sexta-feira, 9 de maio de 2014

TÉCNICAS DE SOBREVIVÊNCIA EM APS – O ATENDIMENTO SIMPLES


Um grande mistério envolve o mais comum dos tipos de atendimento do INSS, o orientação e informações, aquele que a senha determina que deve utilizar no máximo 10 minutos do tempo do atendente e cuja duração, na realidade, varia de 2 a 45 minutos. Intrigados com tal disparidade, foi realizada uma minuciosa análise do problema e verificou-se que as causas são bastante variadas, como exemplificamos a seguir:
1 – Senhas aleatórias: O segurado comparece ao balcão para pegar uma senha e faz uma longa, complexa e ininteligível explanação que pode significar qualquer coisa, desde a solicitação de um extrato como o cadastramento de uma procuração ou um demoradíssimo cálculo de diferença de valores a ser pagos. Para simplificar tal densidade problemática, o ilustre distribuidor de papeizinhos numerados, sem querer se aprofundar no relevante tema, oferece ao cidadão uma singela senha de 10 minutos. Ou, então, o segurado se refere vagamente a algum papel e sem se importar se o mesmo é para ser retirado como, por exemplo, o CNIS ou se é para ser entregue, podendo resultar no cumprimento de uma exigência de SIBE, o que faz absurda diferença, o solícito colega, sem grandes considerações, oferece-lhe a famosa senha de atendimento expresso.
2 – O servidor sofisticado: É aquele colega que não consegue, de forma alguma, ser objetivo no atendimento. Um bom exemplo é uma solicitação de extrato de empréstimos que,  apenas com o CPF do segurado, encontra-se o número do benefício, copia, cola na página do Consigweb e pronto... Tempo gasto, dois minutos. Já o nosso colega divagante pega o RG do cidadão, lê um nome complicado como, por exemplo, o do cineasta Krzysztof Kieslowski, pergunta se o nome é russo, ouve em reposta que é polonês, fica pensando em algo interessante sobre a Polônia para puxar assunto e exibir conhecimento, não encontra nada na cachola e pergunta, finalmente, o que o cidadão deseja. Então insiste, em lugar de fazer a busca do número do benefício pelo CPF, em pesquisar pelo quase impronunciável nome; evidentemente só acerta na décima quinta tentativa. Conhecedor do número desejado, em vez de copiar e colar, transforma-o em dezenas do jogo do bicho e, num exercício de memoria, tenta gravar a sequencia e colocar tudo no lugar devido. Avestruz, águia, burro, elefante, urso. Não. Águia, elefante, burro, avestruz, urso. Não, não. Águia, elefante, avestruz, burro, urso. Também não. Acho que tinha borboleta no meio. Borboleta, pavão, urso, burro e avestruz. Oitenta e oito minutos mais tarde eis que surge, finalmente, o esperado extrato. Agora é só acordar o segurado e entregar-lhe o produto do exaustivo esforço intelectual.
3 – Atendimento infinito: A cidadã pede um extrato de pagamento de benefício. Quando o servidor, depois de se levantar, ir até a impressora, voltar, sentar e entregar o papel, ouve da segurada que ela quer também o extrato de empréstimos. Ele repete a operação e ela lembra que precisa também do extrato para o imposto de renda. Tudo isso  temperado por tapinhas na mão do atendente no momento em que ele usa o mouse, fazendo o cursor entrar em órbita. “Foi você que me atendeu no outro dia, lembra?” Tapinha na mão. “Foi é muito gentil” Tapinha. O servidor, sobrevivente de tudo isso, ainda não está liberado porque, para aproveitar a ocasião ela quer saber se a prima da vizinha tem direito à pensão por morte; se o tio da irmã da amiga da senhora que mora na rua debaixo pode receber LOAS ou se o cachorro do marido e aí o colega, já tonto de tantas perguntas, fica sem saber se se trata de uma ofensa marital ou alguma consulta veterinária.
4 – Protocolo zero: A segurada quer apenas informações sobre o andamento de um processo. Só que não tem protocolo nem sabe de que tipo de benefício se trata. Então o servidor, de posse do documento de identidade da requerente, vai de um sistema ao outro pesquisando e não encontra absolutamente nada em nome ela. Pergunta, pois, se o benefício não seria para o filho. Sim. Bingo! Ela completa dizendo que é aposentadoria do filho. De três anos de idade. Este aparente contrassenso revela a inequívoca informação de tratar-se de um LOAS. Enigma resolvido, em menos de meia hora o simpático sistema SIBE oferece o campo para se colocar o nome do beneficiário. Como se já não bastassem os tormentos vividos até o  momento, o nome da criança muito se assemelha ao do cineasta polonês citado acima. Algo como Kristorfeson ou Cristiofersohn ou Khriteferson ou Kristioteverson, a mãe não tem muita certeza da grafia que, com boa vontade e muita perseverança, através de árduos exercícios de tentativa e erro, o servidor há de descobrir qual é.



quinta-feira, 10 de abril de 2014

TÉCNICAS DE SOBREVIVÊNCIA EM APS - OS MAIS IGUAIS


Com o início do regime especial de atendimentos aos advogados, Dona Conceição foi designada para a honrosa tarefa. Contribuíram para isso dois fatores importantes: um, o fato de a servidora não simpatizar com advogados e, o outro, o fato de o chefe da agência não simpatizar com Dona Conceição. Ela viu tal destino como sinal de provocação e ameaçou dar cabeçadas na parede até conseguir um traumatismo craniano. E foi às vias de fato, uma vez que o gerente não fez nada para impedi-la. Já na quarta pancada, caiu desmaiada e sem alcançar o seu objetivo, o que demonstra que ela era cabeça dura não apenas em sentido figurado. Quando se recuperou, teve de ir para o balcão...
No começo era apenas uma fila de três ou quatro engravatados senhores. Com o tempo, a notícia foi se espalhando e a fila aumentando. Os segurados comuns sustinham resignados as suas senhas e espichavam o olho para a fila dos doutores.
Em pouco tempo os honrados senhores acharam por bem que era necessário que fossem atendidos em um lugar especial porque eram pessoas de superior estirpe. O gerente, muito a contragosto, deu-lhes a sala de JA e em sua porta foi colocada uma simpática plaquinha com os desenhos de uma gravata e um sapato de salto alto, indicando que o local era reservado para pessoas elegantes. É verdade que, de vez em quando, por erro de interpretação, entrava ali alguém apressado, pensando tratar-se de um banheiro, mas, fora isso, as acomodações estavam mais ou menos ao gosto da sofisticada clientela.
Não demorou muito para os segurados se associassem aos advogados para, através deles, obter os privilégios só a eles destinados. Todos, então, compareciam à APS escoltados por determinados defensores da lei, da ordem e da justiça, sem a intervenção dos quais, acreditavam eles, sequer um extrato de pagamento era emitido pelos desleixados servidores. A carreira jurídico-previdenciária florescia a olhos vistos. As gravatas, antes discretas, tornaram-se extravagantes, com estampas coloridas e até com desenhos do Mickey Mouse. A senhoras de tailleur abusavam dos saltos altíssimos que iam do vermelho fluorescente ou dourado.
O resultado de tudo isso é que dobrou o número de pessoas na agência. E, como era de se prever, as controvérsias começaram. Damos abaixo, a título de exemplo, uma muito interessante discussão ocorrida numa tarde de sexta-feira.
- Embora o senhor tenha chegado antes de mim, por uma questão de cavalheirismo, deve ceder-me a sua vez – disse uma advogada e recebeu como resposta:
- Dar-me-ia imenso prazer, mas, como a senhora pode notar, minha cliente também é uma mulher e, portanto, também tem a mesma prerrogativa que a senhora.
- Mas eu sou mais velha do que ela...
- Pode ser, mas minha idade somada à dela é superior à sua somada a do seu cliente.
- Alto lá – soou uma voz atrás deles; era o Dr. Gravatinha, já nosso conhecido. Quem tem que entrar na frente é a minha cliente que já está quase com dez meses de gravidez!
- Dez meses?! Então o senhor tem de leva-la imediatamente a um hospital porque esta criança está encruada! – replicou a advogada.
- Ora, é mesmo? Então vamos tratar do parto imediatamente. Preparem a perícia para o evento! – exigiu Dr. Gravatinha, dirigindo-se ao gerente que se aproximara para informar-se sobre o tumulto.
Ao ouvir a explicação de que o ambiente não era propício a um parto e que os peritos não estavam ali para isso, o advogado gritou:
- Nós vamos entrar com uma ação contra o INSS por omissão de socorro!
Um tanto nervosa, a parturiente segurou o Dr. Gravatinha pelo braço e disse que estava grávida de oito meses apenas e não de quase dez, como afirmara ele. Imediatamente se ouviu uma voz atrás deles a reclamar:
- Ora, então minha cliente deve entrar na frente da sua, pois já está com oito meses e meio de gravidez e, além do mais, eu puxo da perna.
- Data venia, mas e eu tenho um calo que muito me dói e que aposto incomoda mais do que a sua perna que não está submetida ao aperto de um sapato de couro – resmungou o Dr. Gravatinha.
Depois desta histórica data foi criada, de comum acordo, uma complicadíssima tabela de critérios para o atendimento prioritário cujos itens deveriam ser combinados de modo a precisar com exatidão a necessidade ou não de ser atendido como prioritária prioridade. Vejamos um exemplo: Um segurado com 30 anos de idade, com dor de dente e acompanhado de um advogado com 50 anos e uma pasta muito pesada poderia passar à frente de um segurado de 40 anos, sem dor de dente e cujo advogado tivesse 56 anos, mas que não carregasse uma pasta tão pesada quanto à de seu colega. Porém, se a pasta do segundo for acrescida de novos documentos de forma a pesar mais do que a pasta do primeiro advogado e a dor de dente do primeiro segurado melhorar durante a espera pelo atendimento, as posições deveriam ser invertidas. Note-se que há um certo grau de subjetividade na análise de componentes da equação como, por exemplo, a intensidade de uma dor de dente,  o que resultou em ocasionais divergências e algumas altercações.
 Passado alguns meses nesse complicado processo de seleção e após uma dúzia de reuniões, chegaram os advogados ao curioso consenso de que a melhor forma de atendimento seria através da distribuição de senhas.







sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

TÉCNICAS DE SOBREVIVÊNCIA EM APS - A PROPAGANDA


Dizem que a propaganda é a alma do negócio. Evidentemente ela rende bons frutos financeiros e, portanto, deve ser utilizada abundantemente e sempre que possível. O não aproveitamento deste recurso constitui franco desperdício de oportunidades orçamentárias. É por isso que a Previdência Social está se preparando para a implantação de um programa de interação entre sistemas e segurados.
A base de teste é o correio eletrônico que, como observamos,  passou disparar alucinadamente mensagens sem sentido ou, pior ainda, com sentido um tanto equívoco, como ocorreu com nossa dedicada servidora Dona Conceição.
Sabemos que Dona Conceição é uma senhora de idade provecta e muito pudica. Qual não foi o seu constrangimento ao tomar conhecimento do fato de que um e-mail, enviado à sua revelia e com o seu nome, percorreu a lista Brasil oferecendo um kit de produtos que prometia milagrosas ampliações anatômicas para o público masculino. Ilustrado. E tornou-se ela ciente disso quando, por brincadeira, alguns colegas formaram uma comissão de interessados que a procurou com a declarada intenção de obter descontos na compra por atacado. Corou até a burca de tanta vergonha!
Ora, todos nós sabemos que o que segue pelo e-mail institucional é de fácil acesso aos representantes da alta gestão executiva nacional, de um modo geral, e pelo Barack Obama, em particular, o que pode transformar um simples teste de sistema de transmissão em um vexame internacional.
Outro novo programa a ser lançado é o Prisma Association que exibirá, tanto no protocolo do benefício como na carta de exigência ou na carta de concessão, um anúncio de todas as financeiras existentes em sua cidade de forma a bem orientar o segurado para que possa, assim que tenha seu direito reconhecido, comprometer a sua renda mensal em um espetacular empreendimento de crédito consignado.
E também a nova versão do CNIS, mediante um simples cadastramento, o CADCAT, exibirá uma listagem completa de todos os catadores de papel, autodenominados assessores previdenciários, que atuam em sua APS e adjacências.
Toda essa proeza tecnológica trará benefícios já a curto prazo, como podemos comprovar pelo sucesso financeiro de Dona Conceição que, superando os pudores iniciais, passou a comerciar sua mercadoria virtual com bastante desembaraço e, até mesmo, sem grandes preocupações a respeito da eficiência da mercadoria oferecida. O mesmo, evidentemente, ocorrerá com as demais novidades anunciadas. 

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

TÉCNICAS DE SOBREVIVÊNCIA EM APS – DECIFRANDO OS SINAIS


Verão! Férias! Nada melhor do que mudar de ares e levar a família para passear. E entre um passeio e outro, entre o café da manhã e o jantar, nada  mais agradável do que passar umas deliciosas horinhas usufruindo o ar condicionado e água gelada de uma APS. Evidentemente quando ambos os aparelhos, ar condicionado e bebedouro, funcionam. E se o banheiro não estiver interditado, pode-se até fazer um lanche nas refrescantes dependências previdenciárias. E, de quebra, pegar o CNIS, saber o dia do próximo pagamento, solicitar umas informações quaisquer e, logicamente, pedir um “papel pra viagem” para poder voltar para casa com toda a comodidade e sem pagar nada.
Esse salutar intercâmbio entre servidores de uma determinada APS e segurados de outras GEX demonstra que todos os segurados são iguais e agem da mesma maneira em todo o território nacional e os servidores devem estar atentos aos sinais que eles emitem para saber o que esperar do atendimento. Tanto o atendimento quanto os segurados podem ser classificados de diversas formas, como enumeramos a seguir.
Quanto à apresentação de documentos o atendimento pode ser:
a.      ágil – quando o segurado já vem com os documentos na mão;
b.      mais  ou menos lento – de acordo com a quantidade de embalagens em que os documentos estiverem envolvidos como, bolsa, sacola plástica, carteira, porta-documentos, enfim, achei!;
c.       complicado – quando depois de todo o trabalho acima, o segurado descobre, no meio de toda a papelada envolvida, apenas uma cópia não autenticada do documento necessário e declara que é a mesma coisa que o original, que o fulano da mesa tal sempre o atende com uma cópia e coisa e tal;
d.      agilíssimo – documento? não sabia que precisava, deixei em casa... 
              
Quanto ao nível de estresse do segurado:
a.      sociável e feliz – corresponde àquele segurado que, mesmo depois de muito tempo esperando sua vez, quando vê reluzir no monitor o seu número, vai em direção ao atendente, numa animada corridinha, senha em punho, como se tivesse tido sorte no bingo e vai buscar o seu prêmio;
b.      levemente irritado – é aquele que, exagerando um pouco o tempo de espera, diz que já estava aguardando há mais de duas horas, fato desmentido pelo horário de distribuição impresso na senha. Não é aconselhável discordar do comentário equivocado do oponente para que ele não passe subitamente ao grau “muitíssimo irritado”;
c.       muitíssimo irritado – é relativo ao segurado que,  estando sentado à frente do servidor, olhando-o com cara feia, resmungando ou falando sozinho ou, pior ainda, falando ao celular e, por tabela, distribuindo adjetivos pouco lisonjeiros  democraticamente a todos os servidores e em voz bem alta para que ninguém deixe de ouvi-lo, quando vê sua senha no monitor, transporta-se de sua cadeira para a do atendente e desaba nela com tanta vontade como se tivesses estado em pé por umas três horas e ainda dá um longo, profundo e rancoroso suspiro. Ele não menciona a demora do atendimento, mas faz questão que o servidor seja informado de seu desagrado através da pouca sutiliza de seus gestos. Convém ao servidor, em casos como este, mover-se muito pouco e falar menos ainda para acalmar o ambiente e não correr maiores riscos.

Quanto ao grau de dificuldade da solicitação:
a.      fácil – solicitação de extrato de consignação. Para tanto é necessário apenas o servidor dominar a nomenclatura do documento que pode ser chamado de hiscon, íscon, excon, skol, skate, entre outras bizarrices mais;
b.      médio – a frase chave para avaliar a dificuldade é: “eu já estive aqui hoje mais cedo”, o que significada que o problema ainda está pendente;
c.       difícil – normalmente começa com uma frase similar a “eu já estive aqui umas dez vezes”, o que revela que, muito provavelmente, irá retornar uma décima primeira vez, pois o problema não tem solução, ou melhor, o segurado é o problema.

Quanto ao estado da senha:
a.      intacta – o segurado esteve aguardando por muito pouco tempo e deve estar com um humor amigável;
b.      amassada – o cidadão esperou  mais de meia hora e já está um pouco alterado;
c.       dobrada ou rabiscada – demonstra uma certa animosidade em relação ao atendente desconhecido. Se tiver ambas as características, dobrada e rabiscada, o nível de agressividade se eleva sobremaneira;
d.      faltando um pedaço -  fome. Ofereça um biscoito para o seu cliente que seu humor há de melhorar.