MÚCIO DISSE O QUE TODO MILITAR/FFAA SABE — MAS NINGUÉM NO GOVERNO QUER OUVIR
No dia 27 de maio, em evento fechado com executivos da Base Industrial de Defesa em Brasília, o ministro José Múcio Monteiro fez um diagnóstico que raramente se ouve da boca de um civil à frente da pasta: "Nós fizemos um diagnóstico nosso, a Defesa é precaríssima.
A Defesa brasileira é incompatível com o tamanho e as potencialidades do Brasil. Nós não temos defesa. Eu digo que a sociedade precisa saber. Muita gente pensa que nós temos como nos defender; nós não temos." Apenas agora, com a publicação do jornalista Marcelo Godoy no Estadão, o conteúdo veio a público.
O ministro não ficou na retórica. Ilustrou o despreparo com números concretos e constrangedores: em caso de conflito na região Norte — a fronteira mais vulnerável e mais cobiçada do território brasileiro —, a Marinha levaria 20 dias para chegar ao local, e os blindados do Exército, concentrados no Sul e no Centro-Oeste, demorariam 55 dias.
"Se houvesse um conflito real, quando nós chegássemos lá, o inimigo já estaria instalado", resumiu Múcio. É um diagnóstico que qualquer oficial com serviço operacional reconhece como verdadeiro — e que a sociedade civil nunca ouviu com essa clareza vindo de dentro do próprio governo.
O que torna o desabafo politicamente explosivo é o que aconteceu nos dias seguintes. Em 29 de maio, o governo Lula anunciou o contingenciamento de R$ 4,4 bilhões do orçamento do Ministério da Defesa.
Na mesma semana, os Estados Unidos classificaram o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras — deslocando o enfrentamento dessas facções do campo policial também para o militar, com implicações para as Forças Armadas brasileiras.
O país que não tem como se defender perdeu R$ 4,4 bilhões do orçamento de Defesa e não deu resposta adequada à classificação americana. Tudo na mesma semana.
O paradoxo é cruel — e não é acidental. Lula nunca priorizou a Defesa Nacional em nenhum dos seus três mandatos. O orçamento militar é cronicamente insuficiente, o reequipamento das três Forças se arrasta por décadas, e a Amazônia — o maior patrimônio estratégico do país — permanece com cobertura operacional incompatível com sua dimensão e com as ameaças reais que enfrenta.
A pergunta que fica, depois do desabafo de Múcio, é simples e sem resposta honesta por parte do Palácio do Planalto: um governo que corta R$ 4,4 bilhões da Defesa no mesmo mês em que seu próprio ministro admite que o Brasil não tem como se defender — esse governo leva a sério a soberania nacional? https://www.estadao.com.br/.../exercito-testa-drones.../


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